5.1.12

Saudade. Um plot futurista



SAUDADE





Os anos passaram. Nosso planeta já não é o mesmo. Nem mesmo é azul.
Já não existem médicos. Existem procedimentos. Nem são necessárias mãos precisas de cirurgiões, já que as máquinas, os softwares e a tecnologia superou em muito a capacidade médica dos homens.
Já não há computadores. Tudo está conectado. Acredite quando digo que o mundo não é o mesmo.
Mas,eis que ressurge o caos.
Uma doença, há muito extinta, se espalha matando as pessoas como moscas.
As novas condições climáticas fazem com que esta doença seja mais rápida, mais eficiente, mais mortal. Há muito, quando a doença não era nem de longe uma ameaça, foi extinta. Foi estudada, testada e, por fim curada através da criação de anticorpos e vacinas incompreensíveis aos leigos.
A história deixou registrado.
Tudo está no museu. Lá estão os instrumentos, lá existem essências e existem diários médicos.
Tudo está escrito, em detalhes, em prosa, em recortes de jornais. E lá está dito o que os homens devem fazer. Está tudo lá nos diários de um médico que viveu em outra época.
O povo do norte está protegendo este diário.
O povo do norte dará sua vida por estas informações que são incapazes de compreender.
Este diário foi escrito em uma língua morta. Há muito não mais falada, só dita em poemas decorados. Os anos passaram. Tudo passou. E o diário sobreviveu por seu valor estético.
Hoje, o diário escrito na língua morta é a única esperança.
O povo dos trópicos, vê nesta doença a grande chance de ganhar o norte. O norte, a terra rica. O norte onde todos podem sair à rua. O norte onde os alimentos ainda brotam do solo. O norte onde há água para até mesmo para lavar o rosto. O norte que todos querem, mas poucos podem. O norte que pertence apenas ao povo do norte.
O povo dos trópicos vê nesta doença, a salvação.
O povo do norte, vê a extinção eminente.
A língua morta precisa ser decifrada.
Ainda existe uma esperança.
Três velhos.
Três velhos foram descobertos refugiados ao extremo sul. Só eles conhecem a língua. Eles se comunicam. Eles versam. Eles desafiam a lógica falando aquelas palavras tão cheias de vogais e sons tão leves. Eles são os últimos que podem compreender a cura.
Os três velhos podem salvar meu povo.
Eu sou o piloto.
Trago comigo os três últimos velhos que cantam a língua morta. E preciso chegar ao norte.

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